Como minimizar os efeitos corrosivos indesejáveis da utilização do Etanol Hidratado Combustível (EHC) em veículos automotores equipados com motores ciclo Otto?

NOTA TÉCNICA POR FERNANDO LANDULFO*

O Brasil, além de pioneiro, é o único país do mundo que disponibiliza o abastecimento regular de etanol hidratado (E100) para uso automotivo. Um programa (Proálcool) que teve início em meados dos anos 70 [3], cujas vantagens ambientais e econômicas são de domínio público. No entanto, vale a pena ser comentado que a adição de etanol à gasolina, em pequenas quantidades, se remete aos anos da década de 1930 [9].

Na primeira fase do Proálcool (1975 a 1979) o etanol produzido era anidro e tinha como objetivo ser adicionado a gasolina. Já a segunda fase do programa (1979 a 1985) marca a produção do etanol hidratado, para uso generalizado em motores a álcool [3].

O pioneirismo do desenvolvimento dos motores a etanol no Brasil é atribuído a Urbano Ernesto Stumpf na década de 70. Contudo, a primeira menção de um veículo automotor movido a etanol, ocorreu em 1908, sendo atribuída a Henry Ford: um modelo “T” movido a gasolina e etanol [3].

A crise de abastecimento de etanol, no final da década de 80, levou um grupo de engenheiros da Robert Bosch do Brasil a avaliar que o desenvolvimento de veículo de uma alimentação flexível (gasolina e etanol) seria a solução para o país. Pesquisas essas que culminaram na consolidação do motor “flexfuel” nacional [3], comercializado a partir de 2003. 

Por outro lado, apesar das vantagens econômicas e ambientais, a indústria da reparação automotiva, desde o início do programa até os dias atuais, têm apontado algumas mazelas provocadas nos veículos devido a utilização desse combustível, misturado ou não à gasolina. A maioria delas ligadas a corrosão metálica e formação de depósitos.

Mas antes de se falar a respeito daquilo que pode ocorrer durante a sua utilização, é preciso ter em mente de forma bem clara o que é esse combustível.

O QUE É ETANOL?

O etanol é um composto orgânico pertencente à família dos álcoois (C2H6O), sendo popularmente conhecido como álcool etílico. Apresenta-se como um líquido incolor, de odor característico, volátil (ponto de ebulição de 78°C), de molécula polar e altamente inflamável. É totalmente miscível não só com água, mas também com vários solventes orgânicos, como a acetona. Via de regra, é encontrado na forma de uma solução, que pode ter de 1 a 8% de água. Por NÃO existir livremente na natureza, deve ser obtido por métodos químicos ou microbiológicos [4, 5].

Neste ponto, é importante frisar que a polaridade da molécula do etanol fornece o porquê dele ser totalmente miscível em água (outra molécula polar). Já a presença do grupo OH (hidroxila) na sua molécula, não só explica a afinidade da substância com a água (higroscopia) como reforça o porquê da sua total solubilidade nela [13]. 

Já a Resolução ANP 907/22 [1], numa visão focada em legislação, define Etanol Combustível (EC), como sendo: 

Um “biocombustível proveniente do processo fermentativo de biomassa renovável, destinado ao uso em motores a combustão interna, e possui como principal componente o etanol, o qual é especificado sob as formas de etanol anidro combustível e etanol hidratado combustível.” (nosso negrito).

Como, já citado na nota técnica publicada que trata do aumento do percentual de etanol na gasolina, o etanol anidro NÃO é vendido nas bombas de abastecimento ao consumidor. A sua utilização é exclusiva como aditivo da gasolina “A” [1] e, por essa razão, não será abordado nesta nota técnica. No entanto, as suas especificações podem ser encontradas na resolução ANP 907/22 [1];

Já o etanol hidratado combustível (EHC) é definido como sendo “Etanol combustível destinado à utilização direta em motores a combustão interna” [1].

Vale a pena citar que a ANP [1] define e especifica outro tipo de etanol combustível, o chamado Etanol Hidratado Combustível Premium (EHCP), que possui maior teor alcoólico (menor quantidade de água), apesar de, na prática, quase NÃO ser possível encontrar o produto nas bombas de abastecimento.

Densímetro de etanol em bomba no posto de combustível [Foto: Fernando Lalli]

QUAIS SÃO AS ESPECIFICAÇÕES DO ETANOL HIDRATADO COMBUSTÍVEL (EHC) QUE PODE SER COMERCIALIZADO NAS BOMBAS DE ABASTECIMENTO?

A ANP [1] é bem clara. Entre outras especificações de igual importância, pode-se citar:

  • O teor alcoólico, que deve ser de 92,5 a 94,6 % em massa (NBR 5992 e 15639), ou no mínimo de 94,5 % em volume (NBR 16041 e ASTM D5501).
  • O produto NÃO é aditivado com gasolina. Muito pelo contrário: existe um limite máximo de hidrocarbonetos que nele podem ser encontrados. Ou seja: são considerados contaminantes do ECH (NBR 13993).
  • O potencial de hidrogênio (pH)¹ pode variar entre 6,0 e 8,0 (NBR 10891). Ou seja: NEUTRO [2].
  • A massa específica (densidade), medida a 20ºC² deve se encontrar entre: 805,2 e 811,2 kg/m³ (NBR 5992 e 15639).
  • As quantidades máximas de sódio, ferro, sulfatos, cloretos e outros contaminantes é rigidamente limitada.

COMO O ETANOL HIDRATADO COMUM (EHC) É FABRICADO?

No entanto, a resolução da ANP [1] NADA diz a respeito de como se dá a produção do etanol. Inclusive, sobre como ocorre a sua hidratação.

No Brasil, a principal forma de obtenção do etanol, se dá por meio de biotecnologia: leveduras que fermentam uma biomassa (caldo de cana-de-açúcar) [4]. 

Em resumo, o processo ocorre da seguinte forma: o caldo de cana é aquecido (105 °C), deixado em repouso para decantar e depois clarificado. Em seguida, passa pela etapa de pré-evaporação (120 °C) para que seja concentrado e esterelizado. Em seguida, o agora chamado “melaço” é diluído em água para formar o chamado “mosto”, que será fermentado. Durante a fermentação são acrescentados nutrientes para as leveduras e antibióticos, para evitar a contaminação com microrganismos concorrentes das leveduras. A fermentação tem como objetivo a transformação dos açúcares em etanol e gás carbônico. Em seguida o mosto fermentado, agora denominado “vinho”, é centrifugado para separar as leveduras, que após tratadas serão reutilizadas. Como o vinho contém, além do etanol desejado, ácido acético, glicerol e gás carbônico dissolvido, ele deve passar por mais uma etapa industrial: a destilação. A passagem do vinho pelo primeiro processo de destilação resulta num etanol de aproximadamente 95% de teor alcoólico: o denominado “etanol industrial”. Já o etanol anidro pode ser obtido a partir do etanol industrial, através de processos complementares, como por exemplo, uma segunda destilação [4].

Ou seja: a hidratação do etanol ocorre durante o seu processo de fabricação. NÃO existe a adição de água de qualquer tipo nele. Adicionar água de qualquer tipo no etanol anidro a fim de obter o EHC resulta no “álcool molhado”, o que é uma forma de adulteração. Um crime contra a ordem econômica, previsto na lei 8.176/1991.

Por sinal, trata-se de uma das formas mais comuns de adulteração do etanol. É vantajosa ao comerciante que a prática devido aos menores impostos que incidem sobre o produto anidro, que é mais barato [6]. 

A utilização de combustíveis de baixa qualidade e/ou adulterados, como o “álcool molhado” em veículos automotores pode trazer mazelas do tipo: resíduos em injetores, válvulas, velas de ignição e câmara de combustão, assim como, perda de potência, aumento de consumo, detonação [6] e corrosão [8, 9].

Uma das maneiras mais simples de se detectar esse tipo de adulteração, é através da coloração do etanol hidratado combustível (EHC), que precisa ser transparente e incolor. Tendo em vista que o etanol anidro legal deve apresentar uma coloração laranja, a presença desta cor no EHC constitui um forte indício de que se trata de “álcool molhado” [6]. 

No entanto, se um comerciante desonesto tiver acesso por meios ilegais ao etanol anidro sem corante, a detecção da adulteração se torna mais difícil (testes mais detalhados são necessários) [7], mas NÃO impossível:

  • A ocorrência de massa específica (NBR 5992 e 15639) e teor alcóolico (NBR 16041 e ASTM D5501) abaixo, ou acima do especificado pela ANP [1], podem ser considerados indícios desse tipo de adulteração [7].
  • A ocorrência de contaminantes como: cloretos, sulfatos, sódio, ferro e cobre, além do permitido pela ANP, também pode ser indício da adulteração do tipo “álcool molhado”. Pois a água, que costuma ser adicionada ao álcool anidro, NÃO é desmineralizada. Por outro lado, a presença excessiva de sódio também pode estar associada a correção do pH do etanol hidratado combustível nas destilarias através da adição de hidróxido de sódio [7].

Ou seja: é preciso fazer uma análise criteriosa de mais de um parâmetro.

O ETANOL HIDRATADO COMUM (EHC) PROVOCA CORROSÃO METÁLICA?

Chama-se corrosão a deterioração de um material metálico, por ação química ou eletroquímica do meio ambiente podendo, ou não, estar ligada a esforços mecânicos [11]. A corrosão se manifesta de diversas formas. Mas a sua ação gera a destruição e/ou inutilização de componentes mecânicos [11].

Os metais corroem porque apresentam uma forte tendência a retornar ao seu estado mais estável: o óxido. Sendo que a perda de elétrons é crucial para que haja o processo de oxidação (alteração do número de oxidação). [11]. 

Como nos metais, os elétrons das camadas de valência (os mais externos) são fracamente ligados ao núcleo. Ou seja, podem ser removidos com facilidade. O que facilita a ação de íons, que estejam presentes no meio onde se encontra o material [11]. 

No entanto, é relevante mencionar que, em determinadas situações, a camada de óxido formada sobre a superfície de alguns metais, como o alumínio, impede o avanço da corrosão (passividade). [11]. 

Pesquisas acadêmicas, realizadas sobre os efeitos corrosivos do EHC em metais, revelaram que:

  1. A corrosão por contato com etanol hidratado se deu com menor intensidade em materiais como: estanho, níquel, cádmio (desde que não haja escoamento de fluido sobre o mesmo) e ferro fundido [11, 12, 17]. 
  1. A corrosão (inclusive a galvânica) de metais como aço-carbono de baixa ligas, assim como ligas de zamac4, cobre, zinco e alumínio, por contato com o etanol hidratado, foi associada NÃO só ao seu pH (acidez livre), mas também à quantidade de contaminantes presentes no mesmo: oxigênio dissolvido, íons metálicos, íons de cloreto, íons de sulfato e água [8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17]. 

Isso quer dizer que, com relação aos materiais mencionados no item B, quanto mais impuro o etanol hidratado, mais corrosivo ele é. O que torna bastante claro que a qualidade do etanol hidratado combustível é um aspecto de suma importância para a ocorrência de corrosão.

Os acima citados íons de sulfato, via de regra, tem sua origem na utilização de ácido sulfúrico para o ajuste de pH durante a produção do etanol hidratado. O ácido sulfúrico é adicionado a fim de inibir o crescimento de microrganismos indesejáveis [10].

Já os íons de cloreto aumentam a taxa de corrosão de metais como: zamac, aço 1010 e aço revestido com ligas de chumbo [15, 16]. 

Quanto à origem dos contaminantes, apesar das usinas produtoras possuírem controle interno de qualidade, a possibilidade de contaminação do etanol hidratado na sua distribuição e estocagem [16]. 

A geração de íons no etanol hidratado também pode ocorrer no sistema de alimentação dos veículos, onde depósitos de cobre podem ser encontrados nas bombas elétricas de combustível, gerados pelo desgaste que ocorre entre os contatos do motor e o seu rotor [16, 23]. 

A contaminação do etanol hidratado por ácidos orgânicos, como o ácido acético, aumenta os ataques de corrosão a diversos metais [16].

A água presente no etanol hidratado influi de forma significativa na corrosão de metais como: zamac, aço revestido, cobre e alumínio. Porém a taxa de corrosão varia em função da concentração, dentro de uma faixa de valores (mínimos e máximos), que varia de liga metálica para liga metálica [12, 15, 16, 17].

Nesse ponto, é importante destacar que a presença de água em excesso no etanol hidratado pode não ser fruto apenas de adulteração. Reações de oxidação podem ocorrer com o etanol hidratado de boa qualidade (não contaminado) em situações como a deterioração por estocagem prolongada ou inadequada, gerando como subproduto a água [9].

Isso sem falar na decomposição térmica devido ao superaquecimento, ação microbiológica e hidrólise devido à presença de umidade excessiva, que podem ocorrer, alterando negativamente as características do combustível [14].

Testes de 3 meses realizados com bombas elétricas de combustível, utilizando misturas de gasolina e etanol hidratado, mostraram a ocorrência de corrosão nas carcaças externas, advindas do ataque ao zinco [8, 23].

Em algumas ligas de alumínio, a água, ao reagir com o óxido superficial presente nas peças, pode aumentar o processo corrosivo das mesmas [9]. 

No entanto, sob determinadas circunstâncias, o efeito sobre o alumínio pode ser o contrário (inibição da corrosão): ao reagir com o metal, forma-se uma camada de óxido hidratado que pode lhe trazer proteção ao mesmo [9].

Testes realizados com ligas de Al-Si-Cu, muito utilizadas na construção de motores, não apresentaram corrosão significativa quando em contato com EHC [8].

É possível minimizar a corrosão provocada pelo etanol hidratado comum (EHC) através do uso de aditivos?

Chama-se inibidor ou retardador de corrosão uma substância ou mistura que, quando adicionada a um meio em pequenas quantidades, provoca um decréscimo na taxa de corrosão de um metal ou liga [15].

Trabalhos acadêmicos sobre os efeitos de inibidores químicos sobre os processos de corrosão, em soluções de etanol e EHC, revelaram que:

  • Inibidores a base de morfolina, nitrito de sódio, dimetilamina, n-butilamina, monoetanolamina, dietanolamina e cromato de potássio minimizaram a corrosão do aço ao carbono. No entanto, a morfolina não pode ser utilizada quando o meio apresenta características oxidantes. Por outro lado, nessas mesmas condições, o nitrito de sódio, di-n-butilamina, monoetanolamina e a dietanolamina apresentam uma faixa de potencial mais ampla [15]. 
  • O acetato de sódio e o aditivo comercial denominado “Proal” (marca registrada da empresa Promax Bardahl) minimizam a corrosão de aço, latão, aço latão e cobre, quando submetidos ao etanol hidratado [12].
  • O ácido benzoico benzoico minimiza a corrosão do aço carbono quando submetidos ao etanol hidratado [12].
  • A cafeína, dissolvida em etanol comercial, mostrou propriedades inibidoras sobre a corrosão do zinco metálico (presente em superfícies “galvanizadas”) [18].

É possível minimizar a corrosão provocada pelo etanol hidratado comum (EHC) através de tratamento superficial e/ou substituição de materiais?

Devido à ação corrosiva do EHC, muitos componentes do sistema de alimentação dos motores precisaram ser tratados e/ou ter os seus materiais substituídos [19].

Os tanques de combustível, tiveram o aço carbono zincado substituído por aço inoxidável ou plásticos [19]. 

Algo similar ocorreu com as tubulações e mangueiras de combustível, antes comumente feitas em aço carbono zincado, borracha nitrílica com parafina ou poliamidas, que foram substituídas por outros mais resistentes aos ataques químicos do EHC. Por exemplo: aço inoxidável e borrachas nitrílicas sem parafina [12].

No que diz respeito a outros componentes do sistema de alimentação, as referências consultadas afirmam que:

  • A erosão dos eletrodos das velas de ignição é maior quando se utiliza etanol. Logo, é necessário utilizar materiais menos suscetíveis a ataques corrosivos para aumentar a vida útil, não só da vela como da bobina de ignição. [22].
  • Apesar da lubricidade do etanol ser menor do que a da gasolina e suas misturas com etanol, os maiores desgastes e rugosidades em rotores de bombas elétricas de combustível para veículos flexfuel, após testes de 300 horas, foram encontrados nas amostras que recalcaram gasolina E22. Uma hipótese, NÃO testada, sugere corrosão das superfícies devido à maior agressividade das misturas gasolina/etanol [23].
  • As bombas elétricas de combustível que operaram apenas com etanol em testes de 300 horas, consumiram mais corrente elétrica de alimentação do que aquelas que recalcaram apenas gasolina e suas misturas com etanol (E22 etc.) para manter o fornecimento de energia hidráulica. Uma hipótese, NÃO testada, sugere como causa desse aumento de corrente o ataque ao verniz isolante dos fios do enrolamento do motor da bomba [23].

Além disso, é preciso sempre ter em mente que esses componentes:

  1. Possuem um período de vida útil, que é proporcional ao tipo de utilização que o veículo sofre. Como o uso severo, no qual se deve reduzir os períodos de substituição pela metade;
  1. Precisam ser examinados e avaliados periodicamente por um profissional qualificado e devidamente equipado.

Especificamente com relação aos componentes feitos de zamac que têm contato direto com o combustível (carburadores, corpos de borboleta monoponto, bombas de gasolina etc.), faz-se necessário um pequeno aprofundamento no assunto. 

O zamac é bastante utilizado na fabricação de peças de parede fina e formatos complexos, devido à sua alta fluidez. Além disso, apresenta alta capacidade de revestimento por eletrodeposição e baixo ponto de fusão (± 380ºC). O que garante maior tempo de durabilidade dos moldes [21]. 

Mas, devido à porosidade da sua estrutura, assim como defeitos provenientes da injeção sob pressão (método de fabricação mais utilizado), as peças feitas em zamac não atendem a todas as normas de resistência à corrosão [21]. 

Os tratamentos superficiais têm como função proteger a superfície de um material, formando uma barreira protetora que pode vir a proporcionar um aumento da resistência à corrosão e/ou ao desgaste [11].

No caso específico do zamac, por exemplo, pode-se citar a eletrodeposição (galvanoplastia) de níquel. 

Via de regra, o processo se dá, basicamente, da seguinte forma [21]:

Após injetadas e usinadas, as peças passam por processos de limpeza, seguidos de eletrodeposição de camadas de cobre alcalino, cobre ácido e níquel [21]. 

Estas camadas aumentam a resistência do zamac à corrosão, além de conferir às peças uma aparência metálica brilhante e um acabamento superficial homogêneo [21].

O banho de cobre alcalino proporciona uma ótima resistência à corrosão e uma espessura de camada de cobre (entre 0,25 e 0,8 micrômetros), suficiente para que as peças resistam aos ataques químicos das etapas posteriores [21].

Já o banho de cobre ácido é aplicado após os banhos de cobre alcalino. Ele promove um alto brilho sobre a camada de cobre alcalino, além de possuir uma excelente característica de nivelamento sem perda de ductilidade [21].

O banho de níquel, por sua vez, melhora as propriedades mecânicas da superfície, tais como dureza, resistência à corrosão e desgaste, além de lhe proporcionar um visual brilhante [21].

Um outro exemplo de tratamento é o de aplicação de níquel químico com fósforo (NiP)³, já utilizado na proteção de peças automotivas que ficam em contato com o etanol hidratado. Os banhos de deposição, via de regra, são ácidos (pH entre 4,0 e 5,0) e operam entre 80°C e 90°C. No processo também são utilizados aceleradores de deposição, estabilizadores e abrilhantadores [20].

Diferente do níquel eletrodepositado, que possui estrutura cristalina, o NiP apresenta uma estrutura vítrea, de maior resistência à corrosão. Essa maior resistência se deve a inexistência de contornos de grão que são ativas à corrosão. Já as suas propriedades mecânicas e resistência à corrosão dependem do teor de fósforo e do tratamento térmico em que o revestimento é submetido [20].

Observações:

1 “O pH é uma escala numérica que determina o grau de acidez de uma solução aquosa, baseado na concentração de íons hidrônio (H3O+). Soluções ácidas possuem excesso de íons hidrônio e pH menor do que 7. Soluções básicas possuem excesso de íons hidroxila (OH) e valores de pH superiores a 7. Soluções consideradas neutras têm igual concentração de íons H3O+ e íons OH, e sua medida de pH é 7.” [2]. 

“A escala de pH é um instrumento que define o grau de acidez de uma solução aquosa dentro de um intervalo que varia de 0 a 14. Comparando o valor de pH medido para uma solução com a escala de pH, é possível determinar se essa solução possui caráter ácido, básico ou neutro.” [2].

Representação da escala de pH.

Fonte: LIMA, Ana Luiza Lorenzen [2].

2 A medição em temperaturas diferentes, exige a correção mediante o uso de tabelas apropriadas. 

3 De acordo com a norma ISO 4527 (ISO 2003). Obtido através da redução de íons complexos de níquel, tendo o sulfito de sódio como redutor, sem aplicação de corrente elétrica externa e havendo a incorporação de fósforo [20]. 

4 Liga não-ferrosa, composta por zinco (Zn), Alumínio (Al), magnésio (Mg) e cobre (Cu). O seu baixo ponto de fusão e boa fluidez geram um ganho muito grande para o custo benefício em relação às outras ligas, facilitando o processo de fabricação de peças mais complexas e com pouca espessura [20].

*Fernando Landulfo é professor universitário com expertise em mecânica automobilística. Sua formação inclui graduação em Engenharia Mecânica e mestrado em Projeto Mecânico. Ele também é autor de diversos artigos científicos relacionados ao setor automotivo, e publicou o livro “Manual Completo do Automóvel. Motores – Volume 1”

Referências:

[1] BRASIL. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Resolução ANP nº 907 de 18 de novembro de 2022. Dispõe sobre as especificações do etanol combustível e suas regras de comercialização em todo o território nacional.

[2] LIMA, Ana Luiza Lorenzen. Você sabe o que é pH? Mundo Educação. Disponível em:< https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/voce-sabe-que-significa-ph .htm#:~:text=O%20pH%20%C3%A9%20uma%20escala,acidez%20de%20algumas%20subst%C3%A2ncias%20comuns.>. Acesso em: 06/04/2024.

[3] CORTEZ, Luis Augusto Barbosa (org.). Proálcool 40: Universidades e Empresas: 40 anos de ciência e tecnologia para o etanol brasileiro [livro eletrônico]. São Paulo: Blücher, 2018. 

[4] OLIVEIRA, Vanessa da Gama. Processos Biotecnológicos Industriais – Produção de Bens de Consumo com o uso de Fungos e Bactérias [livro eletrônico]. São Paulo: Erica, 2015.

[5] LIMA, Ana Luiza Lorenzen. Etanol. Mundo Educação. Disponível em:< https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/etanol.htm>. Acesso em 07/04/2024.

[6] NOVA CANA. Tipos de etanol combustível. Nova Cana. Disponível em:< https://www.novacana.com/noticias/tipos-combustivel>. Acesso em: 07/04/2024.

[7] DORETTO, Daniel Araujo; SARTORI, Maria Marcia Pereira; VENTURINI FILHO, Waldemar Gastoni. ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA DO ETANOL HIDRATADO COMBUSTÍVEL NA REGIÃO DA SUBPREFEITURA DA PENHA DA CIDADE DE SÃO PAULO. Revista Energia na Agricultura. vol. 31, n.4, p. 356-360, 2016.

[8] AMBROSIN, Alessandra Regina Pepe; KURI, Sebastião Elias; MONTEIRO, Marcos Roberto. CORROSÃO METÁLICA ASSOCIADA AO USO DE COMBUSTÍVEIS MINERAIS E BIOCOMBUSTÍVEIS. Revista Nova Química. v. 32, n.7, p. 1910 – 1916, 2009.

[9] PEREIRA, Alexandre Igor Azevedo (org.). Estudos Interdisciplinares: Ciências Exatas e da Terra e Engenharias 2 [livro eletrônico]. Ponta Grossa: Atena Editora, 2019.

[10] SOUZA, Rafael Laurentino Ferreira de. Uma pesquisa exploratória sobre: Quando em conformidade com a norma ANP 19/2015, o etanol combustível brasileiro é corrosivo? TCC (Graduação em Tecnologia em Produção Sucroalcoleira), Centro de Tecnologia em Desenvolvimento Regional Departamento de Tecnologia Sucroalcooleira, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, p. 36, 2018.

[11] BIONATTI, Rosiana. AVALIAÇÃO DA CORROSÃO NO AÇO AISI 4140 NITROCARBONETADO E PÓS-OXIDADO A PLASMA EM ETANOL HIDRATADO COMBUSTÍVEL. Dissertação (Mestrado em engenharia e Ciências dos Materiais), PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS, Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, p. 87, 2012.

[12] AMARAL, Solange Teresinha Guidali. Corrosão de Vários Materiais Metálicos em Álcool Etílico Hidratado e sua Inibição a “25°C”. Dissertação (Mestrado em engenharia), PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA E DOS MATERIAIS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, p. 117, 1984.

[13] FOGAÇA. Jeniffer Rocha Vargas. Solubilidade de Compostos Orgânicos. Mundo Educação. Disponível em:< https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/solubilidade-dos-compostos-organicos.htm>. Acesso em 11/04/2024.

[14] SOARES, Mayara. CORROSÃO E BIOCORROSÃO DO ALUMÍNIO AA 3003 EM MEIO DE BIODIESEL, DIESEL, ETANOL E GASOLINA. Dissertação (Mestrado), PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO em BIOENERGIA, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Guarapuava, p. 52, 2018.

[15] PALAGI, Jupiter Souza de. APLICAÇÃO DE TÉCNICAS ELETROQUÍMICAS NA AVALIAÇÃO DE INIBIDORES DE CORROSÃO: ESTUDO DO COMPORTAMENTO FERRO EM ETANOL COMBUSTÍVEL. Tese (doutorado em engenharia). Programa de Pós-Graduação em Engenharia. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p.127. 1987.

[16] COSTA, Rytney Costa. Estudo da corrosão do aço inox AISI 304 em álcool etílico hidratado combustível. Tese (doutorado em engenharia). Programa de Pós-Graduação em Engenharia. Universidade Estadual de Campinas. Campinas, p.120. 2012.

[17] SANTOS, Celia Aparecida Lino dos; TIROEL, Lorena Cristina de Oliveira; OLIVEIRA, Elcio Cruz de; ALMEIDA, Leusvaldo Lira de. O ESTADO DA ARTE DA CORROSÃO PELO ETANOL COMBUSTÍVEL. Intercorr 2018. Anais eletrônicos. São Paulo. ABRACO, 2018. Disponível em: < https://abraco.org.br/src/uploads/intercorr/2018/INTERCORR2018_207.pdf>. Acesso em: 12/04/2024.

[18] GROSSER, Fabiana Nogueira. A ATUAÇÃO DA CAFEINA COMO INIBIDORA DA CORROSÃO DO ZINCO METÁLICO EM MEIO ETANÓLICO. Dissertação (Mestrado), PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO em QUIMICA, Universidade Federal do rio Grande do Sul, Porto Alegre, p.112, 2008.

[19] PENIDO FILHO, Paulo. O Álcool Combustível. Obtenção e aplicação nos motores. São Paulo: NOBEL, 1980. 

[20] CARDOSO, Cristiano. REVESTIMENTOS DE NÍQUEL QUÍMICO PARA PROTEÇÃO CONTRA CORROSÃO. Dissertação (Mestrado em engenharia de materiais). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, p.308, 2006.

[21] VALANDRO, Luciana; KUNST, Sandra Raquel; COSTA, Carolina Dias da; OLIVEIRA, Claudia Trindade. IFLUÊNCIA DOS PADRÕES DE ELETRODEPOSIÇÃO DE COBRE E NIQUEL SOBRE O ZAMAC. Revista Tecnologia e Tendências. a. 10, n.2, p. 160-184, 2019.

[22] CASTRO, Mauro F. Velas de ignição para carros que utilizam sistema Flex-fuel. Ciências dos Materiais. 2015. Disponível em: < https://maurofcastro.wordpress.com/2015/08/18/velas-de-ignicao-para-carros-que-utilizam-sistema-flex-fluel/>. Acesso em: 21/04/2024. 

[23] ROVAI, Fernando Fusco. DESGASTE E CORROSÃO DE BOMBAS E COMBUSTÍVEL COM MISTURAS DE ÁLCOOL E GASOHOL. Dissertação (mestrado e engenharia). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo, p. 117, 2005.

Deixe um comentário