
O canal Auto Acadêmico apresenta os resultados preliminares coletados pela pesquisa científica do professor Fernando Landulfo (FMU) sobre o acúmulo de depósitos nas válvulas injetoras em motores com sistema de injeção direta sob uso do etanol. Três injetores removidos de um mesmo motor Volkswagen TSI flex foram desmontados e colocados sob microscópio, que revelou indícios muito além do mero acúmulo de impurezas em seus orifícios.
Os depósitos encontrados foram posteriormente analisados em sua composição e também mostraram resultados surpreendentes. Os pesquisadores responsáveis por esta etapa são o Prof. Fernando Landulfo (FMU), Dra. Jane Zoppas (UFRGS) e Prof. Abrão Merji (FATEC-SP).
“Desde a nossa fundação, nós do canal Auto Acadêmico nos propusemos a fazer um trabalho científico a respeito de um dos problemas mais polêmicos que está ocorrendo no chão de oficina. Um problema que tem gerado muitas discussões entre os guerreiros das oficinas: o acúmulo de depósitos provocados por etanol nos injetores dos sistemas de injeção direta”, declarou Landulfo.
Sintomas comuns relatados em oficina incluem entupimento, perda de estanqueidade e deformação de leque nos injetores. E os resultados iniciais podem dar uma boa ideia do motivo pelo qual isso está acontecendo.
Resultados Preliminares
Os resultados preliminares foram obtidos a partir de injetores desmontados e examinados com microscópio de feixe de elétrons, revelando a formação de depósitos que obstruem a saída do jato de pulverização. Landulfo explica que as impurezas que compunham os depósitos foram posteriormente raspadas e examinados em refração de raios infravermelho e de raios X.

Análise Microscópica
A análise microscópica mostrou depósitos que obstruem parcialmente ou totalmente os furos de saída dos injetores, confirmando a suspeita de entupimentos. Os depósitos foram raspados e analisados por refração de raios X, revelando a presença de etanol, sulfóxidos, alumínio, magnésio, bismuto e rubídio.
Composição dos Resíduos
A presença de magnésio e alumínio pode ser originada dos materiais do motor, enquanto os óxidos de enxofre podem vir de aditivos de lubrificantes. A ausência de cálcio nos resíduos sugere que o etanol utilizado não era de procedência ruim, como o etanol molhado.
“Cálcio geralmente é encontrado no álcool molhado, ou seja, aquele álcool anidro que é hidratado com água oriunda de poços, oriunda de açudes ou de outras fontes”, observou Landulfo. “Por enquanto, tudo aponta na direção de que o etanol que foi utilizado neste motor não era um etanol de procedência ruim, ou seja, um etanol molhado”.

Problemas Estruturais nos Injetores
A microscopia eletrônica também revelou trincas na ponta dos injetores (acima), que podem causar falta de estanqueidade e, consequentemente, calço hidráulico no motor. “Isso (as trincas) foi uma grande surpresa pra equipe pesquisadora, porque trata-se de um problema que não é relatado pelo chão de oficina. O chão de oficina apenas relatou a falta de estanqueidade que, via de regra, era corrigida com uma limpeza ultrassônica”, apontou Landulfo.
Próximos Passos na Pesquisa
A pesquisa ainda precisa de mais etapas, incluindo exames por espectrometria dos lubrificantes e combustíveis, para investigar correlações entre a composição dos fluidos e os resíduos encontrados.







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